Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Os confrontos na Quinta da Fonte, Loures

Ora aqui vão três opiniões em três blogs que sumarizam bastante bem o que eu acho sobre a situação na quinta da fontes, Loures:

O primeiro do Luis Silva:


Olhem só isto que encontrei no Jornal de Notícias:

"Regressam aos poucos e com medo" (título da notícia, é a primeira vez que vejo alguém afirmar que os ciganos têm medo de outras pessoas e andam na linha por isso... :o)).

"Faz muito frio à noite em frente à Câmara, pelo que decidimos regressar. Aquilo não tem condições". <- Dei uma gargalhada ENORME ao ler isto! Viram? A Câmara não tem condições na Rua! E os ciganos costumam viver em apartamentos de luxo...não são um povo nómada! :o)

Querem a prova? Simples! Aqui está
outra notícia
<:

"Tendas não convencem famílias ciganas a voltar" (ora claro...tendas?!)

"Cinco enormes tendas de lona verde, capazes de acolher cada uma 16 pessoas, foram montadas, ontem, durante oito horas, por um batalhão do Exército, num terreno baldio junto ao bairro Quinta da Fonte, na Apelação. Sem água, luz, instalações sanitárias ou fogões: um cenário só semelhante a um autêntico campo de refugiados. "Quem é que o senhor presidente da Câmara acha que somos? Ainda nos querem diminuir mais, para nos colocarem todos juntos em tendas", queixava-se, ao JN, Anabela Guerreiro, membro da comunidade cigana, quando confrontada com a possibilidade de oito famílias terem de viver naquelas instalações, provisoriamente, nos próximos três meses, enquanto as suas casas são arranjadas."

Oh k...já pararam de rir? :o)

Pessoas a viver em tendas?! Como refugiados?! Sem água corrente e outras mordomias do ser civilizado?! Onde já se viu! Isso é DESUMANO! Até já parecem...ciganos! :o/

Eu acho mesmo que eles deviam realojá-los num hotel enquanto as SUAS casas (sim, porque eles pagaram por elas com todo o seu trabalho árduo e com o dinheirinho que conseguíram poupar após pagarem ao governo malvado os enormes impostos)!

E não é um hotel qualquer, que eles não são cidadãos de segunda! São cidadãos de primeira, verdadeiramente exemplares, que nunca se metem em rixas, obedecem à lei, pagam os tais impostos de que falava e, em especial, sabem estar em sítios públicos onde o resto da corja (nós, portugueses de gema) estamos! Obedecem a filas em super mercados, hospitais e outros serviços públicos pelo que devem ser tratados condignamente!

Senhor presidente da Câmara de Loures, por favor leve-os para a sua mansão! Oh k?! :o/

Ah, e já agora, quando tiver possibilidade faça umas obrinhas na Câmara porque aquilo não tem condições para ciganos (veja lá você como isso é mau :o|)!


Podem encontrá-lo aqui: http://lms.ispgaya.pt/index.php?id=1320

 

 

O segundo do Marco Barreto (com citação do Mário Crespo):


Limpeza étnica por Mário Crespo:

 

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. “Perdi tudo!” “O que é que perdeu?” perguntou-lhe um repórter. “Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem…” Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga “quatro ou cinco euros de renda mensal” pelas habitações camarárias.

Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que “até a TV e a playstation das crianças” lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência.

A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à
custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam “quatro ou cinco Euros de renda” à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a “quatro ou cinco euros mensais” lhes sejam dados em zonas “onde não haja pretos”.

Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - “ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.”

A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.


Aplaudo de pé! É injusto. Sejam ciganos, pretos, peles-vermelhas, marcianos, não importa! É injusto para mim e para o resto da população que trabalha! Eu esfolo-me a trabalhar, às vezes mais de doze horas por dia, para ter as minhas coisas, os meus brinquedos caros. E pago uma fortuna para ter uma casa e um carro e se os meus vizinhos desatassem aos tiros o Estado não me dava outra casa! O facilitismo exagerado que se concedeu a estes parasitas sociais está a dar frutos. Frutos podres!

 


Podem encontrá-lo aqui: http://gulma.homelinux.org/wordpress/?p=782

 

 

E o terceiro do Carlos Andrade com citação do Fernando Madrinha do Expresso:


A técnica da vitimização
Dos 55 mil ciganos registados em Portugal, 35 mil recebem o Subsídio de Reinserção Social. Recebem-no porque o que vendem (ou traficam, como preferirem) "não é colectável", logo não têm rendimentos, logo são pobres e desgraçados. Com isto em mente, eu não escreveria melhor o que o Fernando Madrinha
escreveu este fim de semana no Expresso.

"Na avalanche de notícias sobre a Quinta da Fonte, houve uma que apareceu pequenina nos jornais e tem sido pouco valorizada, mas é muito reveladora e instrutiva. Veio do vereador da Câmara de Loures com o pelouro da habitação e diz que a renda média das habitações do bairro é de 4,26 euros por mês. Mesmo assim, as rendas em atraso já atingem um milhão de euros. Esta verba corresponde a 50 mil mensalidades em dívida. Sendo 776 os fogos existentes, temos cinco anos de rendas por pagar num bairro habitado há pouco mais de dez.

O comum dos cidadãos não compreende que uma família não pague os quatro euros de renda, disse o vereador ao 'Público'. Pois não. Por motivos vários - e nem é preciso ir buscar as imagens daquele chefe de família que, vindo da 'manif' defronte da sede do município de Loures, se deslocou ao bairro para mostrar às televisões onde estavam os objectos que lhe terão roubado: o plasma, o DVD, a TV e a "playstation" do miúdo, a máquina da loiça...

O comum dos cidadãos sabe, em primeiro lugar, que, se não pagar a sua renda ou a prestação da casa, recebe ordem de despejo e põem-lhe os móveis à porta. E se lhe ocorrer ir acampar com a família em frente da Câmara Municipal, é provável que a polícia corra com ele na hora e não daí a três dias. Depois, o comum dos cidadãos pode não ter dinheiro para mais nada, mas a renda é a última dívida que deixa de pagar, como os bancos sabem melhor do que ninguém. As duas atitudes - a noção de que a falta tem castigo e de que um compromisso, mesmo o de uma renda simbólica, é para ser cumprido - revelam um certo tipo de relação do tal cidadão comum, seja um pobre de sempre, seja um 'novo pobre', com a casa que habita e com a própria sociedade.

O que mostram as contas das rendas na Quinta da Fonte é a atitude oposta: a ausência de toda a responsabilidade, a arreigada noção de que os pobres, por serem pobres - e mais ainda se forem negros ou ciganos - só têm direitos e nenhum dever, o desprezo por qualquer compromisso e a certeza absoluta da impunidade total em caso de incumprimento, mesmo reiterado.

Esta é a filosofia de vida que o Estado assistencial tem promovido nas 'Quintas da Fonte'. Ninguém dá valor a uma casa que lhe é oferecida por 4,26 euros mensais e que ninguém lhe tira se os não pagar - e aí já está metade da explicação para não se cuidar dela, deixando-a degradar-se de forma acelerada. Menos valor ainda se lhe dará se, além de pedir quase nada de esforço pela habitação, o Estado sustentar a família com subsídios e apoios que a dispensam de procurar trabalho. Ou que permitem a acumulação com expedientes de legalidade duvidosa, quando não criminosos.

No caso específico dos ciganos, que são um caso muito particular em matéria de integração, é público e notório, tanto nas 'Quintas da Fonte', como nas aldeias e vilas alentejanas, que se especializaram na exploração do sistema, nomeadamente no celebrado rendimento social de inserção. E que o Estado faz muito mais do que a esmagadora maioria deles faz pela sua própria integração. Na hora mais conveniente, sabem usar como ninguém a técnica da vitimização racista, seja para explorar e colher qualquer benefício, seja para justificar os seus próprios comportamentos, muitas vezes violentos e racistas. É ir às escolas, por exemplo, e perguntar quem são e como se comportam os pais mais problemáticos.

Bem podem abespinhar-se, pois, as almas pias que se tomam por mais sensíveis e anti-racistas do que todas as outras. O que as incomoda não é que o racismo exista e que ele se manifeste lá onde não dá jeito nenhum ao seu discurso politicamente correcto. O que as incomoda é que se fale disso.
"


Podem encontrá-lo aqui: http://blog.karlus.net/archives/2008/07/29/

 

 

publicado por DarkLord às 12:00
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.posts recentes

. Serviços online do IMTT -...

. Os confrontos na Quinta d...

. Não podia estar mais de a...

. FOSDEM - The Day After

. Aí está a blogosfera....

.Não Quero Imposto Microsoft

.links

.arquivos

. Setembro 2011

. Julho 2008

. Maio 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds